Anote o número: estima-se que só no Brasil existam mais de 4 milhões de pessoas depenentes do mundo virtual. Mas, ao contrário do que pode parecer, ficar pendurado na Internet por horas a fio não é o que mais preocupa médicos, como o Doutor Cristiano Nabuco, que coordena um dos departamentos do Instituto de Psiquiatria da USP e comanda um ambulatório especializado no tratamento dos cyber dependentes.
\"Nós percebemos que muitas pessoas, na medida em que passam a usar a internet de uma forma mais sistemática, passariam progressivamente a trocar as experiências que elas teriam na vida real para ter essas experiências na vida virtual. Muitas pessoas prefeririam, por exemplo, se relacionar virtualmente com algum colega ou até ter um relacionamento afetivo em vez de sair na realidade e buscar um parceira ou uma parceira de carne e osso\", explica o coordenador do departamento do Instituto de Psiquiatria da USP, Cristiano Nabuco.
O designer gráfico Clero Júnior passa cerca de 11 horas na internet, divididas entre assuntos profissionais e diversão. Antigamente a brincadeira era mais problemática. Ele passava diversas madrugadas acordado para poder interagir em um game online que reúne pessoas de diversas partes do mundo. Essa “dedicação” exagerada rendeu alguns desentendimentos até dentro de casa, com a esposa.
\"A maioria desses jogos é em grupo. E como às vezes a gente participa da organização desses grupos, - têm 50, 60 jogadores online dentro desse grupo - às vezes tem reunião de madrugada, você tem que reunir com jogadores para organizar ataques, você tem que reunir com jogador para organizar questões de hierarquia dentro do grupo. E essas reuniões duram horas, passa a madrugada inteira fazendo isso, e para quem é casado sabe que é complicado explicar para a mulher que \'ah, vou ficar a madrugada no computador conversando com outro cara, não vou dormir agora\", conta o designer gráfcio, Clero Júnior.
Talvez o mais difícil seja perceber quando a diversão começa a se transformar num problema. Muitos preferem fantasiar e fingir que, na verdade, ficam menos tempo em frente ao computador do que realmente passam. O problema é que esse tipo de atitude só complica ainda mais as coisas.
\"Quando essas pessoas passariam a ter um prejuízo claro das suas atividades do dia-a-dia em função de terem permanecido muito tempo na internet. Ou seja, aquela pessoa que não consegue mais ter um bom rendimento no trabalho porque ele passou a noite toda conectado. Ou uma pessoa, por exemplo, que não consegue levantar para estudar de manhã porque ele vem navegando há 24, 36 ou mesmo 45 horas, como nós já tivemos um paciente adolescente\", esclarece o especialista.
Clero percebeu sozinho que o jogo estava afetando seu círculo de convivência. Quando caiu a ficha, a solução foi uma medida radical: ele desinstalou o game do computador e ainda cortou contato com outros jogadores virtuais que conhecia.
\"A gente percebeu que a coisa estava ficando feia quando começamos a fazer reunião dentro de festa. Juntavam 3, 4 \'caras\' que jogavam, que eram amigos nossos pessoalmente, sentávamos lá e íamos reunir para decidir coisas do jogo. Isso no meio de uma festa. Aí falamos \'não, espera aí, para não é assim\'. Agora, a gente só joga games que não atribuem função\", diz o designer.
Isso tudo já passou, mas, será que ele hoje está fora de risco? Será que as onze horas por dia na frente do computador já não se transformaram num novo vício? Para a resposta, pedimos ao Clero que faça um teste, indicado pelo doutor Cristiano.
Enquanto o Clero responde as perguntas, é bom saber que as pessoas que realmente se tornam dependentes do mundo virtual precisam de tratamentos que podem durar meses a fio. Durante esse tempo são abordados assuntos relacionados à dependência e o que pode ter levado o paciente a esse vício, como estresse no trabalho ou em casa, por exemplo.
O Clero concluiu o teste, e para felicidade dele, e de toda a família, ele é hoje uma pessoa que usa moderamente a web, sem muito abuso. Ou seja, nada de dependência!
Um grupo de companhias de tecnologia, incluindo AT&T, Google e Microsoft, em conjunto com defensores dos direitos humanos, se reuniu nesta terça-feira para levar ao Congresso norte-americano uma série de propostas que definem regras de privacidade on-line.
De acordo com o jornal \"The New York Times\", o grupo afirmou que pretende garantir que milhões de pessoas tenham mais segurança na utilização de seus documentos e dados que estão na rede. Nas propostas, o grupo sugere que o acesso de policiais e autoridades às senhas e informações pessoais deve ser feito a partir de um mandado de busca.
Atualmente, o acesso a esses dados são liberados a partir de uma intimação. Ainda segundo o grupo, os novos princípios não vão afetar o acesso a informações privadas em casos de segurança nacional e também não seria usado para fins comerciais. A campanha ainda inclui ONGs e entidades, como a American Civil Liberties Union, a Electronic Frontier Foundation e o Center for Democracy and Technology.
Os integrantes afirmaram ao site do jornal que os novos princípios não afetariam o acesso à informação digital privada para fins de segurança nacional. A medida também não seria usada para fins comerciais, como marketing dirigido.